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Análise: ‘O herói que usa uma túnica de monge…’

03/04/2018

Forte. Bem construído. Poderoso. Essa é uma obra brasileira de uma qualidade grandiosa. O seu herói tem capa? O nosso usa uma túnica de monge e uma espada templária e é dele que vamos falar hoje.

A

nos após debandar da Ordem do Templo, Bastian Neville tenta reconstruir sua vida em um Mosteiro de São Miguel Arcanjo perto da Grécia. Ali ele tenta encontrar a sua paz e se perdoar pelos pecados terríveis que cometeu na sua vida de Cavaleiro Templário. A cada vida ceifada o corpo recebe uma marca, e a cada sono refreado com um pesadelo é a sua alma que é marcada.


l E entre uma penitência e outra do monge Bastian, o Rei da França Luis IX decide cobrar uma dívida do imperador de Constantinopla e como pagamento ele pede nada mais e nada menos do que duas das maiores e mais poderosas relíquias do mundo: a Sagrada Coroa de Espinhos que fora colocada mil anos antes na cabeça de Jesus Cristo e também a Longinus ou Lança do Destino, que foi usada para ceifar a vida dele.

lA história vai sendo contada do ponto de vista dos personagens principais, por isso muitas coisas acontecem juntas mas em locais diferentes.

lEntão, Chistopher Blancher, o grão-mestre da Ordem do Templo vai comandar a missão da Sagrada Coroa junto de outros 100 cavaleiros. E à Bastian será incumbida a missão de levar a Lança do Destino. O lugar combinado para se encontrarem e assim partirem para a França será a Fortaleza Ilhada, localizada no Reino de Orhan sob domínio do Rei cristão Sophyr Jaroslav. Mas infelizmente a Fortaleza, conhecida assim por nunca ter sido conquistada por nenhum inimigo antes, foi invadida pelo terrível e demoníaco Rei Negro, Slatan Mondragone, que deseja acima de tudo matar cada cristão na terra e usar os símbolos daquela religião que um dia destruiu sua vida, ainda criança, como sinal de sua força e poder.

lAgora, o perigo está à espreita e essa será a maior e mais dura jornada que os Templários e o Monge enfrentarão. Ao longo desse duro e tempestuoso caminho vamos conhecer personagens marcantes, e essenciais para a história.

Meu personagem favorito, além do Monge, é claro, foi a Princesa Guerreia Mongol, a Setseg, neta do próprio Gengis Khan, um dos maiores guerreiros já conhecidos, ela lutou pelo seu destino e fez as próprias escolhas apesar de ser uma princesa e por um acaso, talvez divino, ela cruzou o caminho de Bastian para acompanhá-lo até Orhan e é aí que começa a ser desenvolvida uma história pura e sincera de amor , daquelas que te fazem torcer para terminar nos modos do "felizes para sempre" mesmo que fiquemos receosos quanto ao destino dos nossos queridos personagens.

Nessa Odisseia Medieval, os templários e os monges têm suas habilidades e sua fé postas a prova em cada canto do longo percurso que farão.

O livro é bem descritivo quanto aos locais e ações dos personagens, mostrando de forma transparente os sentimentos e também a crueldade que os homens são capazes de fazer pelo poder. O mago dos infernos, o Mil Luas ou o Nuray te faz ficar paralisado de terror e ao mesmo tempo sentir muita raiva dele.

Os rituais e as torturas que são descritas aqui fazem o estômago embrulhar (pelo menos o meu) e pra piorar, a gente sabe que isso e coisas piores aconteciam nessa época.

Forte. Bem construído. Poderoso. Essa é uma obra brasileira de uma qualidade grandiosa. A narrativa foi extremamente bem feita, pesquisada e avaliada com todo o cuidado. Dá para sentir em cada descrição de local e personagem que o autor mergulhou fundo nesse período da História Medieval, marcado pela assolação causada pela peste negra e pela religião usada como estratégia de conquista e poder.